Promessa cumprida
A primeira vez que fui ao Chile tinha acabado de fazer 13 anos. Ficou-me pouca coisa dessa viagem que anotei no diário numa frase curta escrita a 11 de Setembro de 1973. Fixei o Chile ao ouvir da revolução que tinha derrubado Allende no seu palácio e, passado pouco tempo, li um livro comprado pela beleza da capa, onde planava uma gaivota. Chama-se Confesso que Vivi e fora escrito por Pablo Neruda. Jurei visitar aquele país de gente esquecida, os que viviam nos Invernos eternos do sul, invisíveis pelos nevoeiros e as neves, e os outros, os da cidade que misturava gente de todas as origens, e os do Norte, do deserto. O Chile era para mim um país pasto de solidões e essa ideia era-me querida. Na adolescência é-se romântico sem se saber e a solidão dos contemplativos assenta-nos melhor do que umas calças de ganga.
Mais de trinta anos depois, aterro numa cidade sitiada pela Cordilheira, uma cidade afundada em nevoeiros poluentes, de gente vária. Pousei a bagagem no Hotel Neruda e fui até ao Palácio de La Moneda cumprir o primeiro dos passos a que me havia proposto tantos anos antes. Posei frente da estátua de Salvador Allende e dei por mim a pensar que, nem por um segundo, duvidei estar ali um dia. Aprendi nesse dia que o Mundo é do tamanho dos nossos sonhos e das nossas vontades.


0 Comments:
Post a Comment
<< Home